Os impactos da tecnologia no setor jurídico

O impacto da tecnologia nos serviços jurídicos

Durante toda a história da humanidade houve situações em que o homem se sentiu ameaçado pelas novas tecnologias.

Até hoje é comum encontrarmos pessoas com medo de terem o exercício de suas atividades substituído por algum sistema automatizado.

Lá atrás, quando a prensa com tipos móveis, difundida por Johannes Gutenberg (1398-1468), viabilizou a produção de livros em escala comercial, houve a necessidade de regulamentações sobre os direitos autorais dos escritores e ilustradores.

Mais à frente, com o surgimento das fotocopiadoras, as grandes indústrias acreditavam que a reprodução indiscriminada de livros e revistas poderia levar o setor à falência.

Já a televisão amedrontou o rádio assim como os serviços de streaming e a internet são considerados ameaças até hoje para o cinema e a indústria musical.

No Direito isso não é diferente. Quando uma nova tecnologia emerge, é comum que advogados torçam o nariz pois acreditam que essas ferramentas podem de alguma maneira fazer o trabalho deles. 

Como mostra a história, este tipo de discussão não é recente. O que sabemos é que o processo de digitalização não vai retroceder e a tendência é que com o passar do tempo tenhamos sistemas cada vez mais inteligentes, capazes de produzir com mais precisão e mais rapidamente.

Assim como aconteceu entre o período econômico agrícola e a revolução industrial, é esperado que profissões com atividades repetitivas como atendentes de telemarketing, balconistas e algumas funções administrativas desapareçam e deem vazão para o surgimento de profissões mais complexas.



Como incorporar as tecnologias no exercício da profissão 

Para as atividades repetitivas, a tecnologia pode ser uma excelente ferramenta auxiliadora, jamais uma substituta. 

Não se deve temer a modernização dos processos e sim aprender a trabalhar com eles, visando melhorar a qualidade dos serviços.

Complexidade das situações humanas e interferências externas como cenário político e econômico exigem a perspicácia que somente um ser humano é capaz de analisar.

Como veremos mais adiante, o uso de tecnologia nos serviços jurídicos é um caminho para o aprimoramento da área e dos profissionais de direito, e está longe de ser o fim do exercício da atividade legal.

 

A generosa fatia de mercado

O Brasil é o país com maior número de advogados no mundo, sem contar estudantes e pessoas que ainda não fizeram a prova da OAB, são mais de um milhão de profissionais atuando na área, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça.

Isso significa que existe um enorme mercado a ser explorado no sistema jurídico brasileiro e cada vez mais teremos investimentos em soluções digitais focadas neste nicho.

A tecnologia com certeza é o atual foco mundial pois, além de facilitar os processos, torna-os mais dinâmicos.

Outro fator que influenciou a chegada destes recursos no Brasil - que até então era mais resistente à adesão - foi o isolamento social. Como todo o mercado, escritórios de advocacia também foram afetados pela pandemia do novo coronavírus e perceberam a importância dessas ferramentas para continuidade de seus negócios.

Essa temporada de experimentação e aprendizado tem levado profissionais do direito a repensarem sobre suas funções dentro do sistema jurídico.

Começa-se a perceber que suas funções não serão substituídas, mas sim melhoradas com o uso de sistemas inteligentes.

 

Digitalização dos processos

Atualmente, o termo Transformação Digital está em alta, uma consequência da digitalização dos processos, como compartilhamento de documentos online ou mesmo a assinatura eletrônica.

Por aqui, a modernização dos processos operacionais foi iniciada em 2010, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) se tornou o primeiro tribunal nacional do mundo totalmente digitalizado.

Se ainda havia alguma resistência, nos últimos meses, contratações, reuniões e vendas online passaram a ser bem comuns. Em pouco tempo, houve uma verdadeira revolução na forma como as pessoas lidam com serviços digitais e isso também afetou o setor jurídico. 

Porém, a Transformação Digital vai muito além de trocar processos análogicos por digitais, ela trata de uma mudança na forma como as empresas administram seus negócios, e com a pandemia do coronavírus esse processo - que já era previsto - foi acelerado.

 

Como a tecnologia ajuda a rotina do advogado

Alguns escritórios de advocacia já desfrutam de algumas tecnologias para otimizar suas rotinas de trabalho. Partindo da básica troca de e-mails, banco de dados e divulgação do trabalho nas redes sociais, até sistemas de gestão mais complexos como ERP, GED e CRM, por exemplo.

Com a coleta e armazenamento de dados dos clientes automatizados, fica muito mais rápido encontrar as informações dos casos. Além disso, essas ferramentas também são capazes de cruzar dados e gerar relatórios precisos automaticamente.

Todas essas facilidades tornam o dia-a-dia do advogado mais produtivo e o poupa de fazer trabalhos maçantes, deixando tempo para que ele se dedique ao que realmente importa, como o desenvolvimento de uma defesa ou formulação de novas estratégias para seu negócio.

Com as tecnologias disponíveis hoje para o setor, é possível criar documentos digitais, com reconhecimento jurídico através da assinatura eletrônica. 

Procedimentos reincidentes, como despachos do juiz também já podem ser feitos eletronicamente, eliminando a necessidade de comparecer pessoalmente a cartórios e fóruns, enfrentando filas e, muitas vezes, perdendo dias para concluir essas tarefas.

Essas questões nos levam ao próximo tópico que fala sobre o impacto da tecnologia na qualidade de vida dos advogados.

 

Melhora da qualidade de vida

Com as tarefas repetitivas realizadas por sistemas inteligentes ou facilitadas por recursos digitais, o profissional terá mais tempo livre para se dedicar a questões que necessitam de uma análise mais especializada.

Também poderá usar o tempo livre para se aperfeiçoar em alguma área ou simplesmente para não ficar sobrecarregado com tarefas desnecessárias e burocráticas. E isso não é tudo!


Oportunidades de negócio

A automação também impacta o caixa de escritórios de advocacia e profissionais autônomos, pois a otimização dos processos permite atender um número maior de clientes, aumentando a receita e as oportunidades de negócio.

Além disso, dá margem para que o profissional descubra novos horizontes, mais direcionados às transformações do mercado jurídico.

Um bom exemplo é o profissional de DPO, que atualmente é muito procurado pelas empresas que necessitam se adequar à Nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), justamente voltada para a regulamentação da coleta e uso de dados digitais, e possui altas remunerações que chegam à R$ 20 mil reais.

 

Legaltechs

No exterior as chamadas lawtechs ou legaltechs trazem plataformas totalmente digitais que permitem advogados realizarem suas tarefas de uma maneira centralizada. No Brasil, essas empresas estão engatinhando, mas em países desenvolvidos como nos Estados Unidos e na Europa, as legaltechs já possuem uma consolidada fatia de mercado.

Basicamente, esses serviços oferecem uma plataforma onde o advogado pode cadastrar e administrar seus clientes, emitir documentos e divulgar o seu trabalho online. 

A centralização de diferentes ferramentas em um único sistema facilita a vida do profissional que não precisa instalar diversos programas e depois administrá-los por conta própria.

Por ser um produto relativamente novo, as possibilidades são inúmeras e a cada passo, podem surgir novas funcionalidades que expandem ainda mais a capacidade de realizar outros serviços de maneira digital e personalizada.

Pioneira no setor na Europa e com mais de 15 anos de história, hoje a Lexly é a legaltech mais utilizada nos países nórdicos e, em 2020, trouxe sua tecnologia para o mercado brasileiro.

Oferece ao advogado a possibilidade de criar um perfil de maneira totalmente gratuita e conectá-lo às pessoas interessadas em adquirir serviços jurídicos de acordo com sua área de atuação. 



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